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Custo a acreditar que alguma pessoa já tenha vivido sem sentir o gosto da angustia e tristeza na vida. Vivemos uma era em que as redes sociais tem propagado e talvez (ou com certeza) externalizado duas personalidades virtuais: O comercial de Margarina e o Narcisista Infeliz.

O Comercial de Margarina são pessoas felizes, com uma relação saudável com o próprio corpo, que amam o seu trabalho, inteligentes, rodeada de amigos, sempre presentes em festas/shows/baladas épicas, em relacionamentos incríveis! Já repararam? Com certeza no seu Instagram (só não vou citar o Facebook porque já saí há muito tempo, e naquela época só tinham analistas políticos).

O Narcisista Infeliz são aquelas pessoas que adoram tirar selfies maquiadas fazendo carão com legendas deprimidas, ou letras de música, ou uma indireta para alguém, ou uma combinação: letras de música que ao mesmo tempo servem como indireta.

E é difícil julgarmos e dizer que essas pessoas estão erradas. Porque estar na internet, receber curtidas, receber comentários bonitos, é viciante, certo? Quem não gosta a da sensação de ser amado?

O fato que me incomoda, é que não consigo ser nem um nem outro. Para viver em um comercial de margarina precisaria gostar muito de tirar fotos de mim mesma, o que eu odeio. Detesto minhas fotos. E para ser uma narcisista infeliz, precisaria falar abertamente sobre as minhas angústias. E é difícil também, mostrar fragilidade e humanidade.

Mas sem pensar muito, esse ano, passei a compartilhar algumas criações e desenhos que fiz, e um dos trabalhos que mais pareceu tirar peso dos meus ombros, foram as Minhas Amigas.

A Ansiedade

A Ansiedade

Essa é minha amiga de longa data, a Ansiedade. Ora estamos bem, ora estamos mal. Importante que aprendemos a conviver. Devo dizer que convivo com ela desde os 10 anos e não sei dizer exatamente porquê. Por muito tempo me perguntei isso. “Por quê eu? Por quê nasci assim?”. Mas é o tipo de questionamento que não se chega a lugar nenhum.

O fato é que tive episódios de síndrome do pânico bem nova, a princípio era só uma criança não querendo ir na escola, mas foi piorando a ponto de mostrar para os meus pais que algo estava errado e me colocaram em uma terapia.

Eu mal lembro dessa época, só sei que sarei. Mas alguns resquícios ficaram. É uma amiga que eu sei que tenho que lidar e que vai me acompanhar ao longo da vida, tornar simples assim, deixou simples assim.

A InSônia

Essa é minha outra “parça” a inSônia, ela é uma companheira dos dias e noites difíceis. Difícil encontrar amigas fiéis como ela.

Ela gosta bastante da Ansiedade e as duas adoram me visitar juntas, é difícil fazer sala para elas. E vou dizer que tenho mais dificuldade de lidar com a InSônia do que com a Ansiedade. Acho que é porque a Ansiedade é mais quieta, na dela. A InSônia é invasiva, aparece se avisar e me tortura por causa do trabalho.

Ela adora jogar um jogo que é “quantas horas você vai dormir, se você dormir agora?” É terrível. Só faz com que eu durma menos. E ela também adora falar de trabalho, quando estou quase dormindo.

A Paranóia

Por último, mas não menos importante, temos a Paranoia. Ela é intensa, invade, domina. Ela não é muito presente, mas quando engrena num papo, não para de falar. É irritante. 

“Você vai sair com essa camiseta?”, “Você simplesmente não fotografa bem, desistir”, “ele te odeia, já reparou que tudo que ele fala é um indiretinha para dizer o quanto ele te odeia?”, “Você simplesmente surtou com a pessoa errada, que erro que erro”.

Os papos dela são os piores, afe.

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